24 dezembro 2012

Fanfic: Hitori de Christmas [Especial de Natal]



       20 de Dezembro, hoje estou mudando de casa... novamente... Não sei exatamente qual foi o maior tempo que eu passei em um só lugar, não tenho um lugar, não tenho um "lar". Mas pelo menos, dessa vez eu sei, o lugar para onde vou, pelo menos poderei chama-lo de "casa". Vivi toda a minha infância como uma desculpa, uma desculpa para que meus pais continuassem juntos. Eles nunca estavam satisfeitos, nunca estavam felizes juntos, mas, como eu existia, eles tiveram que conviver juntos. Amantes, traição, brigas... pelo menos agora eles podem viver separados, agora sim. Estou me mudando para uma nova casa, vou viver sozinho, mas confesso que essa casa, a casa onde eu vivi as ultimas horas perto de minha mãe, ira me deixar saudades. Agora que já tenho 17 anos, e falta pouco mais de 6 meses para que eu complete 18, posso ir viver sozinho, vou morar no pequeno apartamento que a amiga da minha mãe gerencia, perto da minha escola, assim é melhor para mim, assim eu posso esquecer tudo que vivi enquanto vivia com meus pais.

- Oliver, o carro está aqui. - Fala um homem na porta, o pai de Oliver.
- Já estou indo. - Responde.
Oliver se dirige para a porta, seu pai se despede, mas ele não fala mais do que um "Adeus". Quarda suas coisas na mala e entra no carro. Enquanto o carro anda, ele para e olha para sua casa uma ultima vez, a casa onde sua mãe havia morrido a 1 mês atrás.
Vou senti um pouco de saudades daqui... Mas é melhor assim, não quero mais ter que encarar meu pai todos os dias quando acordo. 
Depois de uma 30 minutos cheguei ao meu destino, não imaginei que fosse um lugar tão pequeno, mas qualquer lugar é melhor que aquele. Marinne, a amiga da minha mãe, parece ser uma pessoa gentil, me mostrou todo o predio e disse que se eu quisesse qualquer coisa poderia pedir a ela. Além disso, ela também me convidou para a ceia de Natal, não acho que vou poder ir, mas agradeci o convite. 
Entrei no quarto, desembalei minhas coisas e arrumei tudo nas estantes, a primeira coisa que vi foi um retrato meu e da minha mãe, coloquei-o sobre a minha escrivaninha. Havia outro com o meu pai, daqueles dias em que a nossa família ainda era unida, mas esse eu prefiro não deixar a vista, esse retrato foi tirado pouco antes de eu descobri que na verdade, não era o filho verdadeiro do meu pai, na verdade, meu pai me assumiu porque seus pais queriam que ele se casasse com minha mãe. Digo que por um tempo, a ideia não se mostrou de toda ruim, eramos felizes e viviamos como uma família, mas assim que eu descobri a verdade, durante uma briga dos meus pais, meu pai parecia está aliviado, parecia que tinha tirado um peso das costas. A partir dai, ele esqueceu completamente que eramos uma família, me tratou com despreso e pouco se importava comigo e com minha mãe. Quem é meu verdadeiro pai? Não sei e nem quero saber. 
21 de Dezembro, dormi como se não precisasse mais acordar, estava exausto de tanto arrumar essas coisas. Agora tenho aula, acabei não passando por media no fim do ano e tenho que ir para a prova de recuperação. Me arrumei rapidamente, não comi nada, sai de casa e em 12 minutos estava na escola. Quando sai da sala de aula, quando estava pronto para ir para casa, encontrei Anna do lado de fora, parecia está procurando algo. Me dirigi a ela e me ofereci para ajuda-la, ela não diz que perdeu o colar que sua avó tinha dado a ela no seu aniversario de 15 anos. 
Passamos um bom tempo procurando, depois de cerca de 3 horas, encontrei o colar na sala de artes e o devovi. Por que eu a ajudei? Bom, faz um tempo que eu me sinto atraido pela Anna, nem sempre ela foi como é hoje, estudamos juntos desde os 12 anos, mas devo confessar, ela nunca foi tão bonita quanto é hoje. Cabelos longos e negros que destacam sua pele branca e que caem livres sobre seu ombro. Não sei quando isso começou, mas creio que realmente gosto dela. 
Quando nos despedimos ela perguntou se eu podia ir com ela e uns amigos para uma confraternização de Natal, aceitei, foi uma surpresa ela me chamar para sair com ela. Mesmo que não estejamos sozinhos, pelo menos estamos juntos. 
Quando cheguei em casa eram mais ou menos 4 da tarde, subi as escadas e na janela em frente a minha porta estava uma meninha, sentada e vendo as outras crianças brincarem. Não sei muita importancia, entrei, me troquei, preparei algo para comer e passei o resto do meu dia no computador. 
22 de Dezembro, mais um dia sem nada de interessante para fazer, olhei minhas notas e vi que consegui passar de ano, não tenho nada para fazer, a não ser pegar um livro e começar a lê-lo... 
Sai de casa, aquilo já estava me sufocando. Passei o dia andando pela cidade, estava tudo tumultuado, está perto do Natal por isso as lojas estão cheias. Voltei para casa, era mais ou menos 1 da tarde, mais uma vez, nada para fazer. Quando chego na porta vejo novamente a menina do dia anterior, me pergunto o que ela tanto fazia olhando para o lado de fora e vendo outras crianças brincarem. 
Me aproximo e pergunto:
- Por que não vai brincar com eles? 
- Não posso. - Responde.
- Por quê? - Pergunto novamente.
- Meus pais podem voltar, e se me virem do lado de fora, vão brigar comigo. Da ultima vez que eu sai sem permissão deles, sofri um acidente.
- E onde estão seus pais? 
- Eles saíram a um tempo... Acho que saíram para uma viajem, mas estarão de volta no Natal. Sempre passamos o Natal juntos. - Respondeu sorrindo.
- Vai ficar sozinha até o Natal? Tem alguém cuidando de você? 
- Não, eu não tenho outros parentes.
Me senti indignado de saber que uma criança foi deixada sozinha. Ela parecia ter no máximo 08 anos e passava a tarde toda ali.
Entrei e a deixei lá. Me deitei e tirei um cochilo. Quando acordei já passava das oito na noite, estava com fome e resolvi ir ate uma lanchonete. 
Ao sair do quarto voltei a ver a menina, perguntei se ela já tinha comido algo e quando ela disse que não a convidei para ir comigo. Ela não quis ir, não insisti  Voltei tarde, era quase dez da noite e a menina continuava lá, estava adormecida no chão e resolvi acorda-la e perguntar qual era o apartamento dela. 
- É aquele. - Respondeu apontando para o apartamento de Oliver.
- Não, eu moro ali. - Respondi.
- Então eu não sei... Que eu me lembro, eu morava ali...
Aquilo era estranho, fui ate Marinne e perguntei se ela sabia onde uma menininha estava morando, ela me perguntou o nome, eu disse que não sabia, só sabia que os pais dela estavam viajando e ela estava sozinha. Marinne não soube me responder, na verdade ela parecia confusa. Subi novamente e vi a menina na porta do meu apartamento. Eu não podia deixa-la ali, resolvi que a deixaria dormi no meu apartamento. Coloquei-a para dormi e fui dormi na sala. Passei a noite pensando no que acontecia na minha infância, quando meus pais brigavam e eu ia dormi no lado de fora, depois que descobri que meu pai não era meu verdadeiro pai e comecei a ser ignorado por ele, a dispensa do lado de fora da casa se tornou minha segunda casa, não, ela se tornou muito mais do que a minha verdadeira casa. 
23 de Dezembro, anti véspera de Natal, durante a manhã fui acordado pela tal menina. Me levantei e preparei o café da manhã, mas ela se recusou a comer, dizia não estar com fome. Depois que tomei meu café da manhã me sentei para ler um pouco e a menina começou a chamar minha atenção, dizia que queria brincar comigo e que estava chato ficar me vendo ler um livro que sequer tinha gravuras. Disse que não tinha como ela brincar aqui, não tinha brinquedos ou nada parecido, nem mesmo coleções haviam. Ela ficou com raiva e foi para o canto, parecia que estava começando a me ignorar. 
- Se você quer tanto brincar, vamos ao parque. - Falei enquanto guardava o livro.
Rapidamente ela se levantou, colocou seus sapatos e nós saímos de casa. A perguntei se seus pais não brigariam se ela saísse, ela disse que como eu estava com ela, provavelmente não, pois eu era uma boa pessoa. Chegamos ao parque, mas não tinha muitas crianças lá, ela ficou um bom tempo brincando sozinha, depois de um tempo alguém me chama do outro lado da rua, era Anna, ela estava com seu irmão mais novo. Sentamos e começamos a conversar enquanto a menina e o irmão de Anna brincavam com a areia. 
- Quem é ela? Não me lembro de você citar que tinha uma irmã... É prima? - Perguntou Anna.
- Não, é só uma menina do prédio. Parece que os pais dela viajaram e a deixaram sozinha... - Respondi - Por isso estou com ela desde ontem...
- Não sabia que você era o menino certinho. - Disse com tom irônico.
- Só não acho legal uma menininha ficar sozinha dormindo nos corredores do prédio. 
- E o nome dela? - Perguntou.
- Nome? Na verdade não sei...
- Está cuidando de uma menina e sequer sabe o nome dela?
Gritei para a menina e perguntei qual era seu nome. Com um sorriso ela respondeu: "Anjeli". Continuamos a conversar, esquecemos do tempo. Quando olhamos novamente para o relógio já era meio dia, o sol estava quente e achamos melhor sairmos para comer alguma coisa. Paramos em uma lanchonete, perguntei o que Anjeli queria comer, ela novamente se negou a comer qualquer coisa, mas logo mudou de ideia ao ver o brinde que vinha com um dos lanches, um pequeno anjinho de pelúcia  resolvi dar o que ela queria. Quando saímos de lá demos uma volta pela cidade, Anjeli não largava a pelúcia em nenhum momento, parecia ser a melhor coisa que ela já havia ganhado. No fim da tarde, quando o sol está começando a se pôr, passamos por na beira de uma praia, e não foi novidade O irmão de Anna e Anjeli quererem parar para brincar mais, brincamos na areia, no quebrar das ondas, nas piscinas que se formam com o subir e o descer da mare. Acabamos todos molhados e cheios de areia, o sol se pôs, todos voltamos para casa e Anna prometeu me encontra no dia seguinte para irmos para a confraternização de Natal.
Acho que nunca andei tanto na minha vida, era como se em um dia tivesse brincado o suficiente para compensar minha infância, no fim, foi divertido.
24 de Dezembro, véspera de Natal. Faz tempo que eu não fico tão feliz com o Natal, Anjeli não para quieta, está sempre pulando e dizendo que eu pareço ser seu irmão mais velho. Nunca tive um irmão, por isso não faço ideia de como seja. Ela também não larga o anjinho que dei para ela ontem, não para de assistir TV e não me deixa quieto. 
Resolvi arrumar um pouco as coisas para vê se ela descansava um pouco, pela primeira vez, vou ao porão que tinha no apartamento. Nunca tinha ido lá, imaginei que estivesse tudo cheio de poeira e que eu mal conseguiria entrar, chamei Anjeli para vir comigo, mas ela se negou. 
- Meus pais uma vez me disseram para não ir até o porão. - Disse ela.
Fui sozinho, estava tudo uma bagunça, no canto havia um baú e eu fiquei curioso em saber o que tinha lá. Abri a o que vi foi várias roupas infantis, pequei uma por uma e uma delas me chamou atenção. Era um casaco azul com um gorro tipico daqueles filmes russos, resolvi leva-lo para Anjeli vê-lo. tinha mais coisas no baú, inclusive uma carta, a maior parte das coisas pareciam coisas de criança, mas como não era do meu interesse deixei lá mesmo. 
Voltei para a sala e mostrei a roupa para Anjeli e a sua reação me deixou confuso. 
- Parece a roupa que mamãe me deu para o Natal do ano passado! - Disse ela. - Mas no fim eu não pude usar
Me perguntei se de certa forma aquela roupa poderia ser a roupa que a mãe dela tinha dado. Será que aquela teria sido, no passado, o apartamento dela? Não achei que fosse a hora de perguntar isso. 
Arrumei e limpei as roupas para ela usar durante a noite, o resto do dia foi dividido entre bagunça e arrumação. 
Quando a noite chegou, Anna apareceu para irmos a confraternização, os pais de Anjeli ainda não apareceram e eu achei melhor não deixa-la sozinha. Levamos ela junto conosco. No meio do caminho Anjeli disse que talvez os seus pais estivessem no centro da cidade, eles tinham prometido ir com ela ver as luzes de Natal. Mudamos o nosso caminho e fomos até lá. Esperamos mais ou menos uma hora e meia, mas nada, Anjeli não queria ir embora, dizia com todas as forças "Eles já devem estar chegando", mas nada deles aparecerem. Falei para Anna ir, eu iria ficar com ela, mas ela também se recusou a ir. Ficamos um bom tempo olhando as luzes de Natal, Anjeli parecia encantada com as luzes, mas triste com o fato de seus pais não aparecerem. Me lembrei do que acontecia nessa época de festas quando eu ainda era pequeno, eu também me recusava em sair de perto de meus pais, de certa forma, entendo o que ela está sentindo. A neve começou a cair, o casaco que eu tinha achado veio bem a calhar, pouco a pouco Anjeli se anima e volta a brincar. Me levantei e a acompanhei na brincadeira com a neve, ela parecia mais feliz. 
25 de Dezembro, já é madrugada de Natal e os pais dela não apareceram, Anna precisou ir embora e eu achei melhor ir também. Anjeli dormiu nos meus braços, estava exausta. Quando chegamos ao prédio eu dei de cara com Marinne. Perplexo, perguntei a ela se os pais de Anjeli ainda não tinham voltado. 
- Anjeli? Os pais dela foram embora e um bom tempo, acho que já faz uns 3 meses... - Respondeu.
- E por que não levaram a filha? - Perguntei meio revoltado. 
Marinne ficou estranha, parecia que eu era o doido da historia. 
- Anjeli? De que Anjeli você esta falando? - Perguntou.
- Essa menina... - Falei mostrando a menina que estava enrolada no casaco e que eu estava carregando. 
Ao ver Anjeli, Marinne entrou em desespero. Parecia está vendo uma assombração. Pediu para que eu a deixasse deitada no saguão e eu a seguisse. Entramos em um pequeno almoxarifado, ela estava apavorada. 
- Onde achou essa menina? - Perguntou.
- Onde? Ela mora aqui, não?
- Não, não, não!!! - Gritava apavorada.
- O que foi? - Perguntei confuso.
- Anjeli... Anjeli não está mais viva. Ela morreu a um ano atrás em um acidente de transito! Essa garota não é ela! 
Não entendi mais nada. Eu estava vendo e tinha certeza que aquela era a Anjeli, então, como poderia estar morta? Mas a reação de Marinne começou a me assustar. 
- Esta dizendo que a verdadeira Anjeli está morta? - Perguntei.
- Não a verdadeira, ela! Ela é a Anjeli, eu nunca esqueceria esse rosto! Estava no enterro dela! 
Comecei a me apavorar, não sabia mais o que pensar. Aquela era ou não a Anjeli que ela estava falando. Citei que ela disse que morava no mesmo apartamento que eu e que eu havia encontrado várias coisas que ela tinha reconhecido como sendo dela. Marinne confirmou, Anjeli realmente morava ali, mas ela não sabia nada sobre as coisas no porão. Subimos ate o meu quarto, a mostrei o baú, ela pegou a carta que estava lá dentro e a abriu. O conteúdo da carta era o seguinte:
        Não entendi direito o que essa carta significava. Aquela mulher era a mãe da Anjeli e a Anjeli estava morta? Isso estava mesmo acontecendo? Marinne me levou correndo até o cemitério e me mostrou o tumulo de Anjeli. Em cima dele tinha uma foto da menina e um buque de rosas, provavelmente seus pais tinham ido visitar o tumulo da filha já que a poucos dias fez um ano que sua querida filha havia morrido. Não entendi como isso poderia acontecer. Anjeli parecia uma menina normal para mim, mas ela estava mesmo morta, e sua mãe, desesperada, estava pedindo ajuda. 
Voltamos para o apartamento e Anjeli tinha sumido, subimos ate o quarto e quando chegamos lá, vimos Anjeli chorando com a carta na mão. Ela andou até a varanda, e deixou a carta ser levada pelo vento. 
- Anjeli! - Gritei - Volte, o que está fazendo. 
Mesmo assim, ela continuou parada sem falar nada. Subiu em cima da grade de proteção de me olhou nos olhos. Estava ventando muito, era uma madrugada fria e com neve, o barulho do vento não me deixou ouvir suas ultimas palavras. Anjeli se jogou da grade com um sorriso no rosto. Corri para ver, mas quando olhei ela havia sumido, deixando apenas seu anjinho de pelúcia no chão. Ainda não acredito no que está acontecendo. Cai no chão, me segurei na grade, abaixei minha cabeça e comecei a chorar. 
Nunca irei esquecer do anjo que fez com que eu me lembrasse da felicidade da infância e do Natal, o anjo que me mostrou que eu ainda tenho coração. Mesmo que eu não tenha conseguido ouvir suas ultimas palavras, eu, de alguma forma, sei o que ela disse:

"Obrigado, meu irmão mais velho."

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